BIOMA.news de cara nova (food design vem aí)

Comida em tempos de COVID-19

Pedimos desculpas pela nossa ausência na última quinzena.

Estivemos sobrecarregados com os ajustes finais de nosso espaço e também organizando o nosso primeiro evento oficial, a exibição do documentário Artifishal. Obviamente ele foi adiado (materemos vocês informados da nova data) e passamos a observar o desenrolar desse novo capítulo da nossa história enquanto humanidade. Um momento de reflexão e aprendizado. Um momento que nos mostra a importância de repensarmos hábitos, condutas e a formas de enxergar o mundo como um todo.

Esse momento reafirma o nosso compromisso enquanto Food Hub. O de facilitar inovação e pesquisa na área alimentar e de despertar a consciência das pessoas para a importância de pensarmos sistemicamente quando falamos de alimentos e suas formas de produção, distribuição e consumo. O Bioma é a realização do desejo de participar de forma ativa dessa transformação pela qual passa o mundo. E hoje, mais do que nunca, pensar em sistemas se faz essencial. Vemos uma pandemia mobilizar nações ao redor do globo simultaneamente e dela, tiramos a conclusão de que o coletivo sem dúvida nenhuma nos levará mais longe enquanto espécie.

É assim que enxergamos o nosso trabalho: em rede, colaborativo e atento às metodologias de pensamentos sistêmicos. Por isso essa Newsletter é um tanto monotemática. Resolvemos abordar o COVID-19 pela ótica dos sistemas alimentares e como ele pode impactar as relações mundo afora. Afinal, haja o que houver, seguiremos precisando nos alimentar.

Mas como ficarão as relações após todo o acontecido? Será que restaurantes precisarão fechar portas para sempre? E os pequenos produtores, como farão para vender seus produtos se não em feiras locais? Qual será o impacto do fechamento de fronteiras para o transporte de alimentos? Meio à tantas mudanças, uma que chegou para ficar: os alimentos plant-based deixaram de ocupar a categoria do alimento do extremismo para alcançar o status de um alimento alinhado com a saudabilidade. Em tempo: prateleiras ainda cheias de proteína animal causam efeito nas plantas de produção e processamento de carnes.

Enfim, tudo ainda é muito incerto, mas vamos ficar de olhos abertos para cooperarmos da melhor forma possível com essa “quarentena de consumo”, como definiu a trend-forecaster Li Edelkoort — e sairmos dela com propósitos muito maiores.
Seguimos ansiosos por começarmos, fisicamente, essa jornada conjunta pelo bem do planeta. Enquanto isso não acontece, seguimos usando a tecnologia como nossa melhor aliada.

Boa leitura!

Juliana Bechara Parente — sócia-fundadora do Bioma Food Hub

Consumo e Cultura.

COVD-19 já se provou bastante disruptivo. E se ele também afetar a distribuição de alimentos e bebidas?

Nos Estados Unidos, mexicanos que atravessam a fronteira para trabalhar nas plantações país afora seguem trabalhando e recebendo seus vistos temporários de trabalho — só que dessa vez com um risco maior: eles se tornam pessoas de maior vulnerabilidade frente à iminência do vírus. Isso porque vivem e trabalham sem a possibilidade de distanciamento social — vez que moram juntos, dividindo cozinha, banheiro e quarto, além do transporte público e de suas jornadas de trabalho serem praticamente ombro a ombro nas fazendas produtivas. De outro lado há o distribuidor de bananas: acostumado a fornecer para escolas e restaurantes, se vê tendo que direcionar sua mercadoria para armazéns e mercados. Contudo, é um desafio que se impões — enquanto escolas querem bananas soltas em caixas, não é dessa forma que o consumidor do armazém espera comprar o alimento. Na China o setor de bebidas alcoólicas sofreu queda de 10% nas vendas durante a crise do coronavírus. Nos Estados Unidos reuniões sociais, celebrações e casamentos vêm sendo cancelados, afetando diretamente o trabalho de produtores e distribuídores. -NPR-

Feiras livres seguem como ótimas opções em tempos de coronavírus

Organizadas em ambientes externos, arejados e dispondo de produtos manuseados por menos pessoas até o momento da compra, o prefeito Bruno Covas não suspendeu as feiras livres da cidade de São Paulo. Tidas como uma das melhores alternativas para compras de alimentos durante a crise do coronavírus, elas não só oferecem produtos frescos e limpos, como também oferecem menos risco de contaminação: “como muitos dos feirantes são também produtores e vêm de suas próprias chácaras, o risco de contaminação é menor. Os alimentos passam por menos mãos”, afirmou um representante da prefeitura do Rio de Janeiro. Não só isso, os alimentos encontrados na feira possuem menores chances de contaminação por não virem embalados em papelão ou plástico, itens que podem carregar o vírus por 24 horas no caso do primeiro, e até 2 dias no caso do segundo. Por fim, consumir das feiras locais promove a segurança alimentar e nutricional da população e enfatiza a importância do alimento produzido nas cercanias de onde é vendido. -O Joio e o Trigo-

Aumenta a demanda por delivery de comida por aplicativo. E como ficam
os entregadores?

Conforme restaurantes fecham suas portas e cidadãos se auto-quarentenam, os aplicativos de entrega de comida têm um aumento no número de pedidos online. Apesar de os entregadores autônomos possuírem acesso ao SUS caso venham a ser contaminados pelo novo coronavírus, discute-se a questão monetária da situação: gorjetas mais generosas e parceria com as empresas intermediadoras podem ser de bom grado caso esses trabalhadores venham a contrair o vírus e necessitar ficar de quarentena. -Folha-

…Enquanto isso nos Estados Unidos

A Amazon anunciou a contratação de mais 100.000 colaboradores para atividades em seus centros de distrbuição e entregas — 4.000 em Nova York. Ao mesmo tempo, a maior parte dos trabalhadores ainda nas ruas: fazendo entregas, cozinhando, ou escolhendo medicamentos nas prateleiras das farmácias, são os imigrantes que não possuem acesso ao sistema de saúde e ficam às margens da sociedade em casos de contaminação. -The New York Times-

Sugestões de leitura_

O que aconteceria se o mundo reagisse às Mudanças no Clima como está reagindo ao coronavírus?

Sistemas Alimentares em tempos de coronavírus.

Coronavírus oferece páginas brancas para uma nova história.

Bens de Consumo Embalados e Restaurantes.

Fechamento de bares e restaurantes em São Paulo

Mesmo ainda sem um decreto por parte do governo, a maioria dos bares e restaurantes de São Paulo vêm reduzindo suas atividades para atender apenas deliveries ou entregas de marmitas congeladas. Dividindo equipes em turnos e dando prioridade aos trabalhadores que moram perto e não necessitam do transporte público para chegar ao local de trabalho, são 6 milhões de brasileiros que ficam à beira de um colapso caso a situação se agrave. -Lena Mattar-

Enquanto seu CEO Ethan Brown trabalha em modo Home Office, ações da Beyond Meat caem mas os planos de entrar na China ainda esse ano seguem de pé

“Estou realmente mirando a Ásia. Me comprometi a começar produção no continente até o final desse ano e o faremos mesmo em tempos de pandemia”, comunicou Brown à CNBC no começo desse mês. Segundo ele, independentemente da situação, é importante estar presente na China. -Investor’s Business Daily-

Redução na exportação de carnes faz plantas de frigoríficos diminuírem
produção

Férias coletivas e fechamento temporário de algumas plantas da Minerva Foods e JBS se fez necessário frente à redução de exportação de seus produtos para Europa e China. -O Estado de S. Paulo (17/03/2020)-

AGRICULTURA

No lugar da seção Agricultura, a partir da próxima Newsletter, teremos a coluna Food Design. Entendemos que falar de agricultura requer pensamento crítico e conhecimento aprofundado. Como nosso intuito é fazer um apanhado de informações e elevar o entendimento sobre a importância de se repensar a alimentação, acabamos optando por focar em áreas mais comuns ao dia-a-dia, deixando o tema agricultura para futuros colaboradores — experts no assunto e que possam contribuir de maneira mais embasada para um tema de tamanha relevância para o nosso país.

Porquê Food Design?
Essa é a disciplina do design que abrange tudo que se relaciona à comida e ao ato de comer. E é pensando nesses processos que acreditamos poder levar novas ideias e inspirar empreendedores e inovadores da área.

Somos um coworking de inovação, geração de conteúdo e networking para empresas e pessoas trabalhando por um sistema alimentar mais eficiente.

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